O assassinato que mudou a história da Itália

Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, a Itália tornou-se uma República Parlamentar e a política passou a ser protagonizada por dois grande partidos opostos: a Democracia Cristã (DC), de centro, que dominou a vida política até o seu desaparecimento em 1994, e o Partido Comunista Italiano (PCI), de esquerda.

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Enrico Berlinguer e Aldo Moro

Durante a década de 70, os líderes da DC e do PCI, Aldo Moro e Enrico Berlinguer, tentaram estabelecer um pacto, o chamado “compromisso histórico”, para governarem juntos numa grande coalizão. Muitos entre os mais importantes políticos italianos não concordavam com essa iniciativa e os governos dos Estados Unidos e da Rússia também eram contrários.

A abertura aos comunistas foi um dos motivos do sequestro de Moro pelas Brigadas Vermelhas (Brigate Rosse), o mais conhecido e temido dos grupos radicais daquele período, presente nas fábricas como movimento político e, ao mesmo tempo, ativo na luta armada. Moro foi sequestrado em 16 março de 1978, em Roma, no caminho da sua casa à Câmara dos Deputados. O carro em que viajava foi bloqueado pelos terroristas e os cinco guarda-costas dele foram mortos.

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Moro no cativeiro das Brigadas Vermelhas

Ignorando os inúmeros e dramáticos pedidos da família de Moro e da opinião pública, desde o ínicio o governo italiano, liderado pela mesma DC, se recusou a negociar com os sequestradores. Isso teria significado a legitimação das Brigadas Vermelhas, que para deixar Moro livre tinham pedido a libertação de alguns militantes presos.

Ainda hoje, a atitude do governo italiano não foi esclarecida. Muitos suspeitos de intrigas se misturaram com motivos políticos nacionais e interesses internacionais. O mesmo Aldo Moro, em cartas escritas durante a sua prisão, chegou a condenar os seus colegas e amigos de partido, acusando-os de querer a sua morte.

Como em outros casos de sequestro pelas Brigadas Vermelhas o governo não deixou de negociar a libertação dos refens, a sua atitude no caso Moro sugere que talvez, dentro do Estado, havia de verdade pessoas que achavam melhor que o líder democrata-cristão não voltasse para casa…

Perante a impossibilidade de obter uma contropartida, as Brigadas Vermelhas decidiram matar Moro, embora uma parte do mesmo movimento fosse favorável à libertação do refém. Depois de 55 dias de cativeiro, em 9 de maio, o corpo do líder da DC foi encontrado no porta-mala de um carro na Via Caetani, uma rua localizada entre as sedes dos Democratas Cristãos e do PCI. Ele tinha 61 anos e foi morto com onze tiros.

O assassinato de Moro chocou o país e foi um marco na história italiana, também devido às circunstâncias que nunca foram completamente esclarecidas.

aldo moro corpo

O corpo do líder da DC, encontrado num carro no centro de Roma

Sinopse

A história de Aldo Moro, estadista italiano sequestrado e mantido prisioneiro pelos terroristas das Brigadas Vermelhas, em 1978. Cinquenta e cinco dias depois, seu corpo foi encontrado num carro no centro de Roma. Moro não foi somente uma vitima dos terroristas, mas também da luta pelo poder entre os partidos politicos italianos.

il caso moro

Ficha técnica

Título original: Il caso Moro
Diretor: Giuseppe Ferrara
Ano: 1986
Gênero: drama / história
Classificação: 16 anos
Duração: 114’
Elenco: Gian Maria Volontè, Bruno Zanin, Mattia Sbragia, Sergio Rubini

Exibição
1 de novembro, 14h, no Museu Emílio Silva

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